terça-feira, 21 de novembro de 2017

Em um sistema educacional que beneficia alunos mimados e agressivos, professores acabam virando reféns do medo.



Foto ilustrativa

U
ma pesquisa feita pelo Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp) apontou que 44% dos docentes disseram já ter sofrido algum tipo de agressão. A agressão verbal é a mais comum, segundo os professores. Para 74% dos entrevistados, o xingamento e a falta de respeito são os principais problemas. A desestruturação familiar é apontada por 47% como a razão da violência, e 49% acreditam que é resultado da educação que os alunos recebem em casa. Pelo menos 5% dos entrevistados já sofreram agressão física.

O fato é que as escolas hoje estão cheias de alunos atrevidos, desobedientes, presunçosos, cheios de orgulho, arrogantes e desinteressados de tudo, que ainda agridem, destroem, xingam e destratam a todos. E não adianta chamar os pais, por que em muitos casos são os principais responsáveis. André que é professor de matemática diz “Ao conhecer os pais fica claro o por que aquele aluno não tem respeito por nada nem ninguém”.  

Temos uma geração maior de pais permissivos, que defendem seus filhos melhor que advogado de político corrupto. Fazem pouco caso, justificam erros, diminuem a gravidade da situação, acreditam facilmente na versão do filho, distorcem fatos graves e no final culpam o professor.

Nas escolas particulares o importante é o lucro. E assim repreender um "cliente" errado não é uma opção a ser considerada. Por isso tem se tornado comum colocar toda a responsabilidade no professor, ao dizer principalmente que o educador não tem controle de turma como um tipo de limitação profissional. Não tendo a quem recorrer e ainda com medo de ser demitido, o professor acaba virando refém dos alunos. O stress aumenta e a queda no rendimento do profissional é inevitável, o que em muitos casos o leva a perder o emprego. 


Já nas escolas públicas, além das já comuns agressões contra professores, temos um sistema que começa errado e termina mais errado ainda. Onde o mau aluno é sempre beneficiado ao ser “empurrado” até se formar, geralmente sem saber ler corretamente ou fazer um cálculo básico. 

É muito difícil explicar como a situação chegou a esse ponto, mas o que tem sido consenso entre muitos especialistas, é que o grande aumento de famílias desestruturadas tem consequentemente gerado uma quantidade maior de crianças e adolescentes levando uma vida sem regras e limites básicos. E mesmo em famílias consideradas estáveis, a maioria dos pais trabalham a semana toda e não tem tempo de educar corretamente seus filhos. Seja como for a responsabilidade de colocar limites e regras tem ficado cada vez mais com o professor.

E também não parece haver um consenso sobre soluções para as causas da violência em sala de aula contra o professor, pois cada setor da sociedade tem um ponto de vista diferente sobre o assunto, e que geralmente se relacionam com os já diversos problemas sociais e políticos que a nossa sociedade não consegue resolver. 

Mas independente dos motivos, a verdade é que não podemos ter um sistema educacional, seja público ou privado, onde o professor é refém de alunos mimados e agressivos, que não querem ter nenhum trabalho na escola, e ainda são premiados e incentivados a continuar com o mau comportamento. A pergunta que fica é, se esse sistema não for logo discutido e revisto, que tipo de jovens estamos criando para formar a nossa sociedade no futuro?



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