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Profissionais com baixa escolaridade ganham mais se morarem no Sul e Sudeste, diz Unicamp



Qual é a conta que justifica o valor de um salário? Se engana quem pensa que esse cálculo se resume a uma análise de nível de escolaridade, qualidades pessoais e um cargo dentro de uma empresa. Um estudo do Instituto de Economia da Unicamp, em Campinas (SP), aponta que a diferença salarial sofre influência da região do Brasil em que vive o profissional, e afeta, principalmente, as pessoas com menos escolaridade.

Quanto mais alto o nível de estudos, no entanto, menor a discrepância salarial, considerando trabalhadores com as mesmas condições sociais e de formação profissional. A pesquisa foi defendida durante o mestrado do economista Christian Duarte Caldeira, que ressalta a importância de destacar como as regiões do país se desenvolveram de forma diferente para justificar salários até 50% menores, por exemplo, no Nordeste, se comparado ao Sudeste, para "clones" profissionais.

Entre os exemplos, o pesquisador considerou o perfil de um homem, de 38 anos, que não reside em região metropolitana e não é chefe de família, tem emprego com carteira assinada e não tem instrução. Em uma região atrasada, ele recebe R$ 800. Numa região dinâmica, o salário é de R$ 1.191. A diferença entre as remunerações é de 48,8%.

A análise mostra um resultado ainda mais curioso ao agregar a formação em ensino fundamental ao perfil do homem da região atrasada. O salário dele passa de R$ 800 para R$ 1.041, ou seja, ainda é menor do que a remuneração paga na região dinâmica do país para um profissional sem instrução.

Segundo o economista, a diferença salarial é maior para níveis baixos de escolaridade e isso influenciou, ao longo da história do Brasil, um movimento migratório. O "peso" entre as regiões dinâmica e atrasada é grande, considerando a análise. A pesquisa mostrou que, para profissionais com níveis de escolaridade elevados, não é necessário se mudar para a região dinâmica do país para ter um salário melhor.

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