terça-feira, 26 de dezembro de 2017

No Brasil, a carreira de professor está se tornando uma passagem, um momento de transição para outras funções.




No Brasil, a carreira de professor está se tornando uma passagem, um momento de transição para outras funções. O profissional fica no magistério somente até conseguir um cargo mais bem remunerado e provavelmente menos estressante. Prova disso é que 25% dos docentes brasileiros têm menos de 30 anos e apenas 12% estão com idade acima de 50, bem diferente do que ocorre em outros países. Aqui, o professor ingressa no magistério ainda jovem, mas em poucos anos, deixa de ver perspectivas.

A categoria está entre as mais sensíveis à síndrome de burnout. São profissionais que entram na educação movidos pelo desejo de mudança social e lidam diariamente com o desalinhamento entre o sonho e a impossibilidade de alcançá-lo, entre a impotência diante do sistema de ensino e a cobrança da sociedade. Por exemplo, no Distrito Federal, só no primeiro semestre de 2014, foram emitidos 16,4 mil atestados médicos para professores da rede pública – o que significa mais da metade dos 32 mil concursados. Esses dados se repetem pelos estados e municípios brasileiros. A segunda consequência é a perda de talentos, uma vez que muitos dos profissionais acabam aceitando propostas de trabalho em outras áreas.

A baixa remuneração é a gota d’água num contexto desastroso, que combina elementos como superlotação das salas de aula, aumento da indisciplina e do desrespeito pelos mestres, indiferença das famílias e desprestígio social da profissão, falta de estrutura e de recursos nas escolas e o próprio despreparo dos professores para lidar com os desafios educativos de hoje. Esse quadro tem como primeira consequência o chamado “mal-estar docente”: cada vez mais professores adoecem com problemas psicológicos associados a estresse, exaustão emocional, depressão, cansaço crônico e frustração.


No Brasil, faltam 150 mil professores em disciplinas como química, biologia, física e matemática. No total, estima-se que haja carência de 300 a 400 mil professores nas salas de aula. A solução para que os alunos não fiquem sem fazer nada é recorrer a profissionais sem a devida formação. De acordo com o Censo Escolar 2013, o Brasil tem quase meio milhão de professores ativos sem diploma de graduação, o que equivale a 21,9% do total de 2 milhões de docentes.

Esse cenário funciona como barreira de entrada para novos talentos. Uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas mostrou que apenas 2% dos jovens brasileiros querem ser professores. É justamente o oposto do que ocorre na Coreia do Sul, país que lidera os rankings da educação, onde a profissão é tão disputada que fica restrita aos jovens que mais se destacam nos estudos. É extremamente preocupante constatar que muitos dos calouros brasileiros que optam pela carreira de professor são aqueles que não teriam chance de cursar o ensino superior em outras áreas.
Fonte: g1.globo.com


5 comentários:

  1. Ninguém foge do Paraíso. Há poucos profissionais com a formação devida em várias disciplinas, mas o que mais falta mesmo é respeito para com essa categoria. A maioria julga que essa profissão é de otários, ou de perdedores.

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  2. É muito triste a situação que se encontra a educação em nosso país, mas infelizmente isso vem de longe. As situações citadas acima é somente parte das coisas que acontecem uma vez que temos profissionais que tem formação e parece não ter, outros tendo formação entra em sala e mostra para que está ali mas não é reconhecido e nem respeitado pela gestão e coordenação e muitas vezes pelos próprios colegas de trabalho. Dentro do ambiente escolar serve quem puxa saco do gestor ou do coordenador e não quem tem capacidade isso faz parte do corporativismo que temos no Brasil não só no ambiente escolar. Vale ressaltar que a educação no Brasil nunca foi valorizada sempre ficou em segundo plano... Para que formar cidadãos? Para ir para Rua lutar contra políticos corruptos... Então é esse o pensamento que se tem sobre educação infelizmente. Sou formada em pedagogia há pouco tempo. O que pude confirmar no pouco tempo que trabalhei na educação é que corrupção é uma hierarquia. Triste falar isso, sei que muitos vão me odiar ao ler isso mas essa é minha opinião. Reclamamos dos políticos e odiamos os mesmos porém o que fazemos para melhorar isso???

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    1. Com certeza ! No ambiente escolar infelizmente a imagem que construímos com os gestores é mais importante que nosso trabalho dentro de sala de aula .

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  3. Amo o que faço, tenho 20 anos de Magistério, mas se pudesse mudar de profissão, certamente mudaria. Estou cansada de dar murro em ponta de faca!

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