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Entenda por que tantos profissionais com curso superior aceitam vagas que exigem apenas o ensino Médio.


Todos os anos, Brasil forma um milhão de pessoas no ensino superior, mas o mercado de trabalho não tem espaço para tanta gente. Com tantos professores, administradores e advogados no mercado, muita gente tem dificuldade de conseguir um bom cargo na sua área. Às vezes o jeito é aceitar vagas que pedem apenas ensino médio.

A culpa não é só da crise econômica, que levou a um aumento assustador do desemprego no país, mas do perfil dos recém-formados. Eles se concentram em poucos cursos e, quando buscam uma vaga, percebem que não há tanto espaço para as mesmas funções. Essa análise foi feita pelo professor de economia da USP Hélio Zylberstajn, a partir de um cruzamento de dados do Censo do Ensino Superior e da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho.

Segundo análise do professor, 80% dos formandos estudavam em seis ramos: comércio e administração; formação de professor e ciências da educação; saúde; direito; engenharia e computação. Ao olhar o que faziam os trabalhadores com ensino superior, o professor notou que os cargos não existiam na mesma proporção dos diplomas. "As pessoas fazem esses cursos, mas evidentemente não há demanda para tantos advogados ou administradores. Elas acabam sendo são subutilizadas", diz Zylberstajn.

Um bom exemplo é o setor de administração que correspondia a 30% dos concluintes. Apesar da fatia expressiva, apenas 4,9% dos trabalhadores com graduação eram administradores de empresa. Outros 9,4% eram assistentes ou auxiliares administrativos, função que nem sempre exige faculdade.

A multiplicação das instituições privadas, ao lado da maior oferta das bolsas do Prouni e do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), facilitaram o acesso dos brasileiros à graduação. De 2000 a 2014, a quantidade de instituições dessa natureza cresceu 15%. Outro fator, dizem os entrevistados, é cultural: no país, a beca é sinônimo de status. "A gente despreza o técnico e supervaloriza o superior. É uma tradição ibérica. Como por muito tempo foi uma coisa da elite, passou a ser considerado um meio de ascender socialmente", afirma Zylberstajn.

"A gente despreza o técnico e supervaloriza o superior. É uma tradição ibérica. Como por muito tempo foi uma coisa da elite, passou a ser considerado um meio de ascender socialmente", afirma Zylberstajn. Para a professora Elisabete Adami, da Administração da PUC-SP, esse objetivo está ligado à ideia de que o diploma basta para ganhar mais. Ela diz que deu aulas em faculdades privadas de São Paulo e notava o desejo de seus alunos de melhorar de vida.

A falta de experiência e a formação em instituições pouco prestigiadas são os principais empecilhos que os formandos enfrentam nos processos de seleção, diz Luciane Prazeres, coordenadora de Recursos Humanos da agência de empregos Luandre. Prazeres relata que muitos profissionais chegam no mercado sem ter feito estágio, porque precisavam trabalhar para pagar os estudos. "A maioria são recepcionistas, operadores de call center que buscam o oposto do que estão fazendo. Mas, se ele não sai do mercado para fazer estágio, é difícil conseguir uma oportunidade." Segundo ela, é comum que, ao abrir um posto, as empresas peçam candidatos formados em determinada universidade.

Na carreira de Professor, a grande quantidade de profissionais disponíveis, principalmente nas grandes cidades, gera uma desvalorização dos salários. A necessidade de trabalhar faz com que muitos aceitem uma remuneração humilhante que os desvalorizam completamente como profissionais formados. A remuneração média dos professores brasileiros é equivalente a 51% do valor médio obtido pelos demais profissionais com nível superior completo. Dados da OCDE (Organização para a Cooperação Desenvolvimento Econômico) mostram que os salários dos professores brasileiros são extremamente baixos (estudo do Education at a Glance 2014). Em muitos casos a remuneração é mais baixa do que a de um profissional com apenas ensino médio.


Hélio Zylberstajn, da USP, diz que o ensino técnico é negligenciado e faz falta para o país. O professor sugere que disciplinas ligadas ao ensino técnico sejam incluídas na grade curricular do ensino médio, e não em institutos específicos, como acontece hoje. "Estamos carentes de técnicos. No ensino médio, deveríamos formar mão de obra em cooperação com as empresas."

Esse tipo de formação é uma possibilidade que precisa ser analisada antes da decisão definitiva pelo ensino superior, diz Tania Casado, do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP. Se a escolha for pelo ensino superior, no entanto, Casado diz que o estudante não deve conhecer apenas a profissão, mas as ocupações que ela abrange.

Além de analisar o mercado, aconselha a diretora, o candidato deve olhar para si e escolher algo com o que se identifique. Se depois quiser mudar de área, a transição não precisa ser dolorosa. Nem sempre uma nova faculdade é necessária, afirma. Às vezes uma especialização ou cursos livres são suficientes. "Carreira é isto: olhar o entorno e se olhar, o tempo inteiro. E saber que à medida que você vai evoluindo, pode haver outros interesses, o que é bom. Mas é preciso se preparar para esses interesses, o que não necessariamente passa por uma graduação."
Fonte: Com Informações da BBC Brasil (bbc.com/portuguese)








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