Pular para o conteúdo principal

A síndrome do esgotamento profissional em professores pode estar ligado a alunos estressados, diz estudo.


Um novo estudo da Universidade da Colúmbia Britânica publicado pela Social Science & Medicine descobriu uma correlação entre os níveis de Burnout (síndrome do esgotamento profissional) dos professores com seu ambiente de trabalho, o que inclui sua relação direta com seus alunos.

Embora alunos estressados e professores esgotados não seja incomum - esta é a primeira vez que uma pesquisa encontrou uma ligação potencial entre os dois. Os pesquisadores referem-se ao fenômeno como "contágio do estresse", ou a disseminação dos sintomas fisiológicos do estresse e da ansiedade de pessoa para pessoa.

Como Acontece

Quando os professores ficam estressados com a falta apoio em sala de aula ou devido aos sistemas educacionais deficiente, suas aulas são menos organizadas e gerenciadas. Os estudantes, então, são afetados, por sua vez aumentando seus próprios níveis de ansiedade.

Em outras situações, estudantes com ansiedade ou problemas comportamentais podem ser a fonte de estresse para professores. Como os professores desempenham um papel central no estabelecimento de um ambiente de sala de aula positivo e receptivo que seja propício ao crescimento social, emocional e acadêmico, sua saúde mental pode ter um grande impacto nos estudantes. "Isso sugere que o contágio do estresse pode estar ocorrendo na sala de aula entre estudantes e seus professores", disse Eva Oberle, autora principal do estudo e professora assistente da Human Early Learning

Como Foi Feito o Estudo

Pesquisadores de psicologia educacional levaram amostras de saliva e testaram os níveis de cortisol - um hormônio que é liberado em resposta ao estresse - de 406 alunos do ensino básico em 17 salas de aula em Vancouver. Os professores responderam a um questionário listando sua satisfação no trabalho, bem como os seus sentimentos emocionais em relação a seu trabalho e seus alunos.

Nas salas de aula onde os professores relataram sentir exaustão emocional ou esgotamento, os estudantes também tinham níveis elevados de cortisol. Níveis mais altos de cortisol são um indicador biológico de estresse. O burnout do professor acabou sendo associado a níveis mais elevados de cortisol, ou ao hormônio do estresse, na saliva dos alunos.


Os autores do estudo observaram que o comportamento dos alunos que sofrem de níveis mais elevados de estresse podem estar relacionados a vários fatores como problemas de adaptação na escola, mau desempenho acadêmico, medo das notas baixas, insegurança com relação ao futuro, problemas de saúde mentais, despreparo para lidar com problemas comuns do dia a dia, medo de desapontar os pais e em alguns casos até mesmo castigos de todo tipo.

Os alunos acabam apresentando os mesmos problemas psicológicos que normalmente são associados ao professor como o estresse, exaustão emocional, depressão, cansaço crônico e frustração

Resultados

O estudo deixa claro que não se sabe o que veio primeiro: Cortisol elevado dos alunos ou o esgotamento professor. Por isso considera o estresse na relação entre aluno e professor  um problema cíclico na sala de aula.

No entanto, o estudo observa que o estresse poderia originar de alunos, visto que em geral são os professores que tem que lidar com problemas comportamentais e outros estresses comuns da profissão como salários baixos, turmas superlotadas, varias horas de trabalho, provas e atividades de alunos para corrigir mais preparação de aulas e provas, isso e outros fatores estão levando muitos professores a desenvolverem a Síndrome de Burnout.

Essa pesquisa é um lembrete das questões sistêmicas enfrentadas pelos professores e educadores, à medida que os tamanhos das aulas aumentam e os apoios para professores são cortados. Mostra que é preciso haver mais apoio para ajudar a evitar o desgaste do professor e, por sua vez, os níveis de estresse dos alunos. "Se nós não apoiarmos os professores, correremos o risco de nossos alunos também sofrerem os danos colaterais", disse UBC professor de educação Kimberly Schonert-Reichl, co-autor do estudo.


Entenda a Síndrome de Burnout
       
No site tuasaude.com, o Dr. Arthur Frazão diz: A síndrome de burnout é caracterizada por um estado de exaustão física, emocional ou mental devido ao acúmulo de estresse no trabalho, sendo, por isso, muito comum em profissionais que têm que lidar com a pressão ou a responsabilidade, como os professores ou enfermeiros, por exemplo.
Desta forma, os sintomas físicos da síndrome de burnout incluem:
  • Dores de cabeça constantes;
  • Tonturas;
  • Alterações no sono;
  • Problemas digestivos;
  • Falta de ar;
  • Excesso de cansaço.
Já os sintomas psíquicos da síndrome de burnout podem ser:
  • Ansiedade;
  • Dificuldade em concentrar-se;
  • Variações de humor;
  • Perda de motivação no emprego;
  • Ficar isolado dos colegas de trabalho.
  • Além disto, outros sinais da síndrome de burnout incluem o indivíduo demorar muito tempo em realizar as suas tarefas profissionais, assim como faltar ou chegar atrasado muitas vezes ao trabalho.
         




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sugestões de palavras e expressões para uso em relatórios de alunos

      Escrever não depende de dom, mas de empenho, dedicação, compromisso, seriedade, desejo e crença na possibilidade de ter algo a dizer que vale a pena sobre seu aluno. É importante criticar e sugerir possíveis soluções. Escrever é um procedimento e, como tal, depende de exercitação. E encontrar a melhor maneira de expressar o comportamento de alguém não é fácil, exige muita cautela e perspicácia. Por isso segue sugestões de palavras e expressões para uso em relatórios de alunos. Coloque sempre as intervenções feitas para ações apresentadas, isso ressalta trabalho. SUGESTÕES DE PALAVRAS E EXPRESSÕES PARA USO EM RELATÓRIOS Você pensa Você escreve O aluno não sabe O aluno não adquiriu os conceitos, está em fase de aprendizado. Não tem limites Apresenta dificuldades de auto-regulação, pois… É nervoso Ainda não desenvolveu habilidades para convívio no ambiente escolar, pois

Aberto Concurso Público com 350 vagas para TODOS OS NÍVEIS salários de R$ 5.472,14

O Instituto Brasileiro de Gestão e Pesquisa (IBGP), publicou a realização de um novo Concurso Público que tem como  propósito  a admissão de 350 profissionais de níveis fundamental, médio/técnico e superior. A seleção é destinada a Prefeitura de Nova Serrana MG. Aos profissionais admitidos irão desempenhar funções em carga horária de 20 a 40 horas semanais ou escalas de 12x36 e contarão com salários de R$ 1.100,00 a R$ 5.472,14 ao mês. Oportunidades Ao todo serão preenchidas 350 vagas, distribuídas entre os cargos de:  Nível Fundamental Agente de Apoio da Assistência Social I - Faxineiro (4); Artífice de Obras e Serviços Públicos - Eletricista (3); Artífice de Obras e Serviços Públicos - Sepultador (2); Operador de Máquinas Pesadas e Equipamentos (1); Agente de Apoio da Assistência Social II - Cozinheira de Apoio da Assistência Social (1); Motorista de Apoio Administrativo - Motorista N1 (1); Motorista de Apoio Administrativo - Motorista N2 (2); Motorista de Apoio Assistência Socia

Entenda a diferença entre CEIs, EMEIs, CEMEI, CEIIs e EMEBS na Educação básica de SP

N a Educação Infantil, as crianças convivem e aprendem em ambientes adequados às suas necessidades e interesses, de acordo com sua faixa etária. Os educadores promovem a convivência e o relacionamento com outras crianças e adultos, desde o primeiro ano de vida, como forma de garantir o direito das crianças a uma educação integral e de boa qualidade social, que respeite as necessidades da pequena infância.  Na cidade de São Paulo, há cinco tipos de unidades públicas destinadas à educação infantil:  – CEIs -  Centros de Educação Infantil e Creches Conveniadas, para crianças de zero a 3 anos e 11 meses;  – EMEIs -  Escolas Municipais de Educação Infantil, que atendem crianças de 4 a 5 anos e 11 meses;  – CEMEI -  Centro Municipal de Educação Infantil, que recebe crianças de zero a 5 anos e 11 meses;  – CEIIs -  Centros de Educação Infantil Indígena, que integram os CECIs - Centros de Educação e Cultura Indígena, e trabalham com crianças de zero a 5 anos e 11 meses; e  – EME

10 Dicas para melhorar a fluência de leitura de seus alunos.

E studos comprovam que a ler ajuda a desenvolver o cérebro, ter melhor desempenho acadêmico e até mesmo a criar uma sociedade mais igualitária. Estimular crianças a tomar gosto pelos livros é uma missão importante de pais e educadores. Crie um ambiente confortável que estimule a leitura, no qual a criança tenha acesso aos livros sempre que quiser, com iluminação adequada. Organize as obras em locais agradáveis e de fácil acesso para que tenham facilidade em visualizar os livros e pegá-los sempre que quiserem. DICAS 1- A fluência crescente em seu aluno começa com a modelagem apropriada. Uma dica prática para usar no início é ler um livro juntos pelo menos uma vez ao dia. Sente-se com seus alunos e leia o texto com expressão e usando um ritmo natural. Ao ler as palavras em voz alta seu aluno adotará sua cadência e estilo. 2- A prática guiada é uma ferramenta extremamente eficaz para melhorar a fluidez da leitura e pode ser usada em conjunto com a dica de leitura mencionada anter

BNCC: Entenda como deve ser a transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é considerada fundamental para reduzir desigualdades na educação no Brasil e países desenvolvidos já organizam o ensino por meio de bases nacionais. E ela também estabelece como deve ser a transição entre essas duas etapas da Educação Básica. De acordo com a BNCC essa transição requer muita atenção, para que haja equilíbrio entre as mudanças introduzidas, garantindo integração e continuidade dos processos de aprendizagens das crianças, respeitando suas singularidades e as diferentes relações que elas estabelecem com os conhecimentos, assim como a natureza das mediações de cada etapa. Torna-se necessário estabelecer estratégias de acolhimento e adaptação tanto para as crianças quanto para os docentes, de modo que a nova etapa se construa com base no que a criança sabe e é capaz de fazer, em uma perspectiva de continuidade de seu percurso educativo. Para isso, as informações contidas em relatórios, portfólios ou outros registros que e