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Para 97% dos professores, escola pública dos sonhos está longe de ser a atual

 

Crédito: Rodrigo Zaim/R.U.A Fotocoletivo

A escola pública dos sonhos está longe de ser a atual. As aulas deveriam ser baseadas em mais metodologias ativas, a infraestrutura poderia melhorar, bem como o acesso à internet e à tecnologia, para que o estudante tivesse mais autonomia. As relações precisariam ser mais inclusivas e o professor, devidamente valorizado. Sem contar o conteúdo, que teria de envolver mais temas como cidadania e valores democráticos. 


Essas são algumas das conclusões do recém-lançado programa de pesquisas “O professor da escola pública brasileira: seus sonhos, desejos e projetos de vida”, do NAP/USP (Núcleo de Novas Arquiteturas Pedagógicas da Universidade de São Paulo) em parceria com o Instituto iungo. 


São dois os levantamentos realizados com professores de todo o país. Em “A escola pública dos sonhos para os educadores brasileiros”, com 1,5 mil respondentes, 97% apontaram que a escola pública tem de ser transformada para chegar ao modelo ideal. “Numa escola dos sonhos, professores e professoras seriam qualificados, valorizados e bem remunerados, alunos e alunas seriam respeitados em suas diferenças e singularidades e teriam seu direito de aprendizagem garantido, através de um currículo emancipador, que desenvolvesse a criticidade e a vontade de melhorar a si mesmo e a sociedade”, relatou um participante. 


As pesquisas foram realizadas em 2021, durante o período de distanciamento social. As aulas remotas impactaram grandemente o cenário escolar e o cotidiano de alunos e professores. E, mesmo com a mudança abrupta na maneira de ensinar, 83% dos docentes pretendem seguir atuando na educação pública – 100% dos entrevistados ressaltaram seu compromisso com a educação e a profissão docente.



Os dados acima foram revelados pela segunda pesquisa, intitulada “O professor da escola pública brasileira: seus sonhos, desejos e projetos de vida”, feita com uma base de 2 mil professores. Entre as respostas, uma delas sintetiza a ética profissional dos participantes: “Meus projetos de vida são manter minha família saudável, investir na educação das minhas filhas e me capacitar também para melhor execução de minhas funções. Procuro priorizar um bem-estar de vida em todos os sentidos”.


De acordo com Paulo Andrade, diretor do Instituto iungo, ter um projeto de vida é o que nos move a olhar criticamente para o nosso entorno, desejar e buscar ferramentas para tornar o nosso sonho o mais real possível. “O estudo nos mostra que, apesar dos conhecidos desafios da docência, agravados pela pandemia, os professores acreditam no poder transformador da educação e têm ideias muito concretas sobre como melhorar a escola pública. Ouvi-los, é também essencial para a construção de políticas de desenvolvimento profissional docente significativas e efetivas”, conclui.  


Fonte: Porvir (https://porvir.org)

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