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A casa é a primeira escola e os pais são os primeiros professores

 

 “Eu posso pedir às crianças, por exemplo, para gerar um texto usando o bot e editá-lo até encontrar os erros ou melhorar seu estilo de escrita”, disse a professora de inglês Kelly Gibson ao site Wired.




Passado o primeiro susto com a chegada do ChatGPT, uma inteligência artificial desenvolvida pela OpenAI que utiliza entradas de texto para simular respostas tão naturais quanto uma conversa em dois seres humanos, alguns professores passaram a enxergar a IA como aliada e não mais como inimiga.

Muitos educadores ficaram preocupados com especulações sobre uma nova forma de trapacear, já que o ChatGPT poderia ser usado para escrever redações ou burlar sistemas de educação, criando uma espécie de “oráculo do mal” que levaria os alunos a produzir conteúdos de maneira fácil e desonesta.

Outros, porém, viram na inteligência artificial uma oportunidade para redesenhar o próprio sistema de aprendizado, levando a tecnologia para dentro das salas de aula. “Eu posso pedir às crianças, por exemplo, para gerar um texto usando o bot e editá-lo até encontrar os erros ou melhorar seu estilo de escrita”, disse a professora de inglês Kelly Gibson ao site Wired.

IA como aliada

O ChatGPT não é tão inteligente quanto as pessoas, apesar de sua capacidade de produzir texto semelhante a um ser humano. Em vez de fazer conexões neurais ou algo do gênero, o bot é uma máquina estatística que aproveita um banco de dados imenso para gerar respostas que, geralmente, precisam de orientação e edições adicionais até atingir um resultado satisfatório.

Outros educadores que também rejeitam a ideia de um “apocalipse educacional” sugerem que o ChatGPT pode não estar quebrando a educação, mas chamando a atenção para como o sistema já está ultrapassado, com métodos obsoletos de aprendizado e avaliação dos alunos.

“Isso não quer dizer que o ChatGPT não seja prejudicial à educação. O bot surgiu em um momento em que muitos professores estão sofrendo de esgotamento após o aprendizado remoto durante a pandemia. No entanto, frear o avanço tecnológico, bloqueando completamente o ChatGPT das salas de aula, por mais tentador que seja, pode apresentar uma série de novos problemas”, acrescenta o professor Torrey Trust da Universidade de Massachusetts

As proibições já começaram

No começo as escolas públicas da cidade de Nova York proibiram o ChatGPT em dispositivos e redes escolares devido a “preocupações com impactos negativos na aprendizagem dos alunos” e com a segurança e a precisão do conteúdo gerado pela IA.

Para a professora de inglês Marilyn Ramirez, a medida tomada pelo Departamento de Educação foi precipitada e não impede que os estudantes tenham acesso a essa tecnologia em suas casas sem a devida orientação que seria proporcionada em uma sala de aula.

“Eu permito que meus alunos usem o Google Tradutor justamente para mostrar como e onde a ferramenta é falha e quando é apropriado usá-la. O ChatGPT segue o mesmo princípio, funcionando de forma benéfica com a orientação de um professor, mas de maneira limitada como uma IA em desenvolvimento”, completou Ramirez.

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